26 de fev. de 2014

Simuladores podem deixar de ser obrigatórios no País.



Projeto de lei que suspende resolução do Contran sobre necessidade de horas/aula no aparelho será votado hoje pela Câmara Federal

A Câmara dos Deputados votará hoje, em sessão extraordinária, um projeto de lei que suspende os efeitos de resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o qual exige o uso de simuladores de direção pelas autoescolas. O Projeto de Decreto Legislativo 1.263/13 é de autoria do deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR), que alega que, além de estimular a formação de um cartel de empresas e deixar a carteira de motorista mais cara, o uso do simulador não vai reduzir a violência no trânsito. O aparelho necessário custa cerca de R$ 35 mil.

O diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran/RS), Leonardo Kauer, faz parte de um grupo de entidades que mobiliza-se contra a revogação da obrigatoriedade de 5 horas/aula usando simuladores de direção na formação de novos condutores. O órgão estadual tem apoio da Associação Nacional dos Detrans, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), da Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto) e dos deputados federais Vicentinho (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS), este último, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro.

“Estamos mobilizados e já conseguimos que o projeto não entrasse em votação na semana passada, para que pudéssemos fazer uma campanha maior em cima do assunto”, afirma Kauer. Entretanto, o diretor-geral não se mostra muito otimista em relação à decisão dos parlamentares, que ocorrerá às 16h. “Sinto que há uma tendência à aprovação do projeto. Mas nunca se sabe, é difícil de prever”, pondera.

A resolução do Contran é de abrangência nacional. Segundo Kauer, o Rio Grande do Sul foi pioneiro em adotar o modo experimental pré-prático (simulador). “Testamos o sistema. Alguns estados ficaram refratários e, outros, retardatários nesse processo, mas houve locais que ficaram insatisfeitos com a obrigatoriedade, em função do custo”, diz.

A ideia de que o acréscimo do valor do aparelho no preço da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) torne a formação mais cara é rechaçada pelo diretor-geral. “Em média, os candidatos costumam fazer 28 horas/aula para se sentirem seguros para realizar a prova, ou seja, oito horas a mais do que o obrigatório. No Brasil, a média é maior, de 34 a 35 horas. Há estudos que fizemos que comprovam que, com os simuladores, o número de horas/aula é menor, porque não há interferência de fatores como clima e outros veículos na rua, que dão insegurança ao aluno. Por isso, o gasto dele acaba sendo menor com o simulador”, justifica. E solta uma provocação: “Alguns gestores podem pensar que não é bom aumentar o valor da CNH em ano de eleição, mas nós acreditamos que uma vida não tem preço”.